TPACK: um modelo a descobrir
- anacdm

- 2 de dez. de 2018
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O modelo TPACK, surgido em meados dos anos 80, parece ser a resposta para a criação de cenários de aprendizagens mais eficientes e motivadores. Ou não?
Hoje em dia, o grande desafio de qualquer docente é motivar e manter a motivação dos seus alunos. Rodeados de informação através do uso das novas tecnologias, com aplicações para tudo e para todos os momentos da sua vida, os jovens de hoje vivem tudo com excessiva rapidez e superficialidade. O tempo para aprofundar e refletir sobre o que se aprende na sala de aula é limitado, já que nova informação ou interesse desperta.
As novas tecnologias são, contudo, um grande aliado dos professores. De facto, estas permitem que que as aulas sejam pensadas e executadas de um modo completamente diferente do que o eram há uma década atrás. O acesso imediato a vídeos, a documentários, a notícias de jornais do outro lado do mundo atualizadas quase ao segundo permite lecionar aulas mais motivantes e interessantes para o aluno e para o professor. Como exemplo, basta pensar como um documentário sobre a Primeira Guerra Mundial, com imagens reais, pode prender a atenção duma turma com mais facilidade, para além das diferentes metodologias possíveis de exploração e de trabalho deste recurso, promovendo a aprendizagem efetiva por parte dos alunos.
O uso das novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem implica também a adoção de novas metodologias de ensino que respondam a todas as solicitações e necessidades referidas anteriormente. O modelo TPACK, apresentado por Lee Shulman em 1986, parece, de facto, ser a resposta mais adequada às necessidades dos docentes, pois permite articular, de uma forma coerente e fluída, todos os domínios relevantes no ensino de hoje: os conteúdos, a pedagogia e a tecnologia. A articulação destes domínios tem como objetivo criar oportunidades de aprendizagem mais motivadoras e efetivas.
Contudo, na minha opinião, existem dois obstáculos para a implementação desta metodologia nas salas de aula portuguesas: o acesso a dispositivos tecnológicos em número suficiente para alunos e professores, já para não falar na qualidade da ligação das escolas à internet, e a insuficiência do tempo necessário para pesquisar, analisar, experimentar os recursos digitais disponíveis e, posteriormente, criar os necessários para a sua prática letiva, seja um infográfico, um apresentação em Prezi ou em Powtoon. Acrescente-se ainda que toda esta pesquisa e este trabalho são realizados pelo docente sem qualquer apoio por parte da tutela; ou seja, não existe por parte do Ministério da Educação uma aposta na formação de docentes que queiram desenvolver e implementar este modelo ou outro na sua prática letiva.
Assim, pode concluir-se que existe neste momento um modelo que dá uma resposta adequada ao processo de ensino-aprendizagem dos alunos de hoje, sendo apenas necessário que se faça um investimento na formação dos docentes, novos ou mais antigos, e que se criem condições de trabalho, mais precisamente horas, para proceder à planificação, conceção, avaliação e posterior partilha dos diferentes recursos digitais criados e utilizados.
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